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Mente Desconexa

é tudo muito bonitinho até o capítulo dois.

Seria mais um desses personagens casuais que nos encontram na rua, Seu lino. Assim mesmo, com o S maiusculo e o l minusculo, demonstrando a pequeneza do homem. Aquela barba velha e alguns fiapos de roupa marcados pelo sangue de algumas feridas eram o cartão de visita dele. "Manchas do corpo físico, menino, é o que mantém meu intelecto intacto!" - dizia, numa das tantas conversas que tivemos. Sempre foi muito ponderado, resguardando-se de viver uma vida badalada outrora com a mendicância atual. Desfez-se de tudo para ver se conseguia fazer-se de si mesmo. Não foi capricho suicida não, foi necessidade de se encontrar mesmo.

Numa dessas tantas conversas, lembro-me do dia em que conversamos sobre essa invariabilidade da vida, dessa porrada acachapante que tomamos quando nos deparamos com o real. Lembrou-se de Cristina, uma das mulheres que foram importantes na vida dele (embora enquanto estivesse com ela isso não fosse percebido pelo próprio lino), que o "ajudaram" a decidir se encontrar. "lino" teve várias mulheres. Passou de um tudo por elas, fez de um tudo por elas, e sempre constatava que o amor dele era um sentimento próprio dele, não dos seres amados. Ele idealizava o amor, quando resolvia que determinada qualidade não lhe era mais atendida, corria para satisfazer-se de outras. As vezes com outras.
Elas nunca entenderam a lógica disso.

"O mundo é egoísta, filho. E o amor nunca fica atrás disso. Acredite: seu amor é muito mais a sua cabeça do que 'você e o outro'. É como doce: tendo-o em demasia, ele perde sua unicidade, aquilo que o diferenciava de outros sentimentos, e no final tudo que se faz é achar um doce novo, entendeu? É um gosto seu com você mesmo."

Acaba sendo...
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